Apresentação
O livro "História da Filosofia" foi escrito pelo Padre Paschoal Rangel tendo como objetivo a formação dos alunos do Seminário Maior Padre Júlio Maria.
Nossa intenção é divulgar este trabalho, pois, possivelmente, haja poucas cópias ainda restantes dele.
Não foi publicado por nenhuma editora. Era uma espécie de "apostila" para seus alunos.
Dada a importância do tema resolvemos divulgá-lo.
O Padre Paschoal Rangel nasceu em 17 de maio1922 na cidade de Castelo (ES), onde fez o primário. Tendo entrado no Seminário Apostólico dos Missionários Sacramentinos de Nossa Senhora, em Manhumirim, completou aí seus estudos secundários, assim como de Filosofia. O curso de Teologia foi feito em Belo Horizonte, no Seminário do Coração Eucarístico. Ordenou-se sacerdote em dezembro de 1946. Foi Professor de Filosofia, História da Filosofia e Introdução à Filosofia e Teologia Sistemática do Instituto Central de Filosofia e Teologia da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais e Professor de Deontologia de Enfermagem da mesma PUC-MG e da Universidade Federal de Minas Gerais; Vice-Diretor do ICFT da PUC-MG (1968-1969). Tem vários artigos sobre Filosofia e Teologia publicados em jornais e revistas (O Lutador; O Diário (BH-MG), A Ordem, do Centro Dom Vital; Atualização (BH-MG). revista de Teologia Kriterion, da UFMG), além de alguns Cadernos de Teologia, sobre a Revelação e os Sacramentos. Foi Redator e Editor-chefe do Jornal O Lutador e da Revista de Teologia Atualização. Licenciou-se em Filosofia pela Faculdade Dom Bosco de Filosofia, Ciência e Letras de São João Del Rei.
Faleceu em 4 de abril de 2010 na cidade de Belo Horizonte (MG) deixando uma vastíssima obra em diversas áreas de conhecimento.
A gente escolhe uma filosofia ou uma teologia por motivos que não são filosóficos nem teológicos. Esta é, aliás, uma das questões mais interessantes da hermenêutica, que R. Bultmann apelidou de ¨pré-compreensão¨(Vorverständnis). O teólogo faz sua teologia. Mas ele já é, de algum modo, um homem feito, antes de fazer teologia. Feito pelo seu meio social e pelo lugar que ocupa nesse meio (essas coisas fazem nossa cabeça). Feito pelo seu tempo, o tempo em que ele está - queira ou não - mergulhado. Seu ser é temporo-ontológico, ou ôntico-temporalizado, se me permitem essas ¨licenciosidades¨ verbais. Falando assim, a gente tem a impressão de ser o homem que falava javanês... Mas o que se quer dizer é que o homem que faz teologia, ou filosofia, ou história, ou sociologia etc., não consegue partir do Km 0, não está neutro, pH 7. Ele já começa impregnado de idéias, sentimentos, opções, que o contagiam desde o nascimento, e até desde antes do nascimento; somos todos seres marcados e constituídos pelo nosso tempo e pelo tempo de tantos outros que nos influenciaram. Era um pouco isto que queria dizer Heidegger c om o título de seu livro ¨Sein und Zeit¨ (= ¨Ser e Tempo¨.)Além dessas influências sociológicas e culturais que explicam e justificam uma sociologia da literatura (inclusive da literatura filosófica ou teológica e até bíblica), poderíamos ainda acrescentar que escolhemos esta ou aquela filosofia ou teologia por uma questão de temperamento. (Padre Paschoal Rangel (1))
____________ Cláudio Rangel, em 12 de Abril de 2022
(1) Prefácio Interessantíssimo Nº 2. In, Teologia da Libertação: Juízo Crítico e Busca de Caminhos. Belo Horizonte, Editora O Lutador, 1988, pg 9.

Comentários
Postar um comentário