Filosofia Pré-Socrática



1 - Pré-Socráticos: Antes de Sócrates. Isto é uma classificação cronológica. Mas, numa nota curiosa de Julián Marias (História de la Filosofia, pg 10, Madrid, 1954, 7ª Edição), isto vem a ter um significado bem profundo: os pré-socráticos são considerados filósofos porque depois deles veio Sócrates. Quer dizer: deve ter havido neles uma filosofia real pois conseguiram gerar um filósofo indubitavelmente autêntico. Literalmente: "Por serem pré-socráticos, por anunciar e propagar uma madureza filosófica, já são filósofos os primeiros pensadores da Jônia e da Magna Grécia.

2 - Nisto se distinguem estes homens - apesar de tantas semelhanças recíprocas - dos sábios orientais. Não se lhes pode a estes, acrescentar um "pré' cheio de sentido. (Id. Ib.)

3 - Outra nota interessante: Os últimos pré-socráticos não são anteriores a Sócrates, no tempo. Apenas na temática e na caracterização das soluções.

4 - O tema geral dos pensadores ou sábios da 1ª Etapa da Filosofia: A NATUREZA. São físicos antes que filósofos. Aristóteles os chamou: "oi fisiologoi".

Mas fazem uma física com método filosófico, se se pode dizer. Pois o problema é discutidissimo.

O único testemunho dessa preocupação filosófica, aliás, o mais antigo, é Aristóteles. Ora, Aristóteles punha os problemas dentro de seu sistema, e talvez tenha "solicitado" jeitosamente os textos a uma resposta que, provavelmente, eles só continham virtualmente.

5 - Estes homens eram, principalmente, cientistas: astrônomos, geógrafos, técnicos, meteorologistas...

O que eles, falando da natureza, procuravam, quando diziam que o princípio (arqué) de tudo era a água, o infinito, o ar, era talvez a origem do mundo e não seu elemento constitutivo. E nisso se pareciam com os orientais: faziam cosmogonias.

(Antes do nº 5 deve ser colocado o seguinte, que é o nº 6: Aristóteles procurava: qual a matéria de que são feitas as coisas? Teriam os milésios se interessado por esta questão? Não se sabe se o problema da matéria os havia tocado)

7 - Sua originalidade, porém, e aquilo que, afinal, nos autoriza a ver neles o início, a aurora da filosofia, é que tomam diante da "fisis" não uma postura mítica, e sim uma postura teorética.

Eles não pensaram em teogonias - genealogias de deuses; eles não se aterrorizaram diante de incógnitos poderes, mas sentiram diante das coisas uma insopitável curiosidade e perguntaram-se: como podem ser elas? "Curiosos diante de um desconhecido que os não amedrontava embora os lançasse num sentimento de "maravilha" que estimulava a indagação: "que é tudo isso". "Donde vem tudo isso?".

8 - Os indo-iranianos puseram-se as mesmas perguntas. Mas sua curiosidade se orientava para outras direções. A "situação" histórica e social os tornava fundamentalmente pessimistas: a vida e o mundo lhes pareciam insuportáveis. E encontraram um meio de fugi-las pela meditação e a ascese. Pela negação do indivíduo. Pela absorção no Brama ou no Nirvana. Tudo vem de Brama e tudo termina no único Brama.

9 - Outros orientais, menos racionais, menos teoréticos, falavam de genealogias de deuses e se perdiam em um mundo de mitos, pequenos e disponíveis diante de misteriosos poderes.

10 - Os Milésios estavam numa "situação;' social de todo em diferente: ricos vitoriosos, humanamente felizes, em parte desprendidos de tradições religiosas (eram comerciantes, realistas, navegadores) acostumados a dominar a natureza, acreditavam que poderiam enfrentá-la teoreticamente como a enfrentavam técnica e mecanicamente. Queriam encontrar nela mesma resposta que ela suscitava, como encontravam nela possibilidades técnicas (ver Brébier, E, Hist. de la Philosophie, T I, pag 43ss. PVf - 1948. ver também Durant, Will - História da Civilização - 2º P, Tomo I, pg 174ss. Cia Edt. Nacional, São Paulo - 1943).


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